quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012
Bando De Babuínos Sacripantas
E esse Obama que vem aqui fazer auê com a Dilma mas não tem força política nenhuma? Porque, que eu saiba, era para os EUA comprarem nossos aviões em troca de outras coisas. E agora chegam pra Embraer e falam que a papelada está errada? Me engana que eu gosto. Já li sei lá onde que crise econômica suscita esse tipo de discurso patriótico e nacionalista. Os caras ficam sem empregos e falam que tem que fechar negócio somente com empresas nacionais. Que tem que priorizar o que é verdadeiramente nacional. Que tem que expulsar tudo o que é estrangeiro. Termina com judeus indo pra câmara de gás. O tempo todo temos que pagar as contas. Se somos pobres temos que pagar, se somos emergentes temos que pagar. Obama não é a cara dos EUA. Não é o representante dessa sociedade. É apenas um carinha que colocaram lá enquanto tentam desesperadamente não sucumbir à crise e à bancarrota. E agarram no nosso pescoço tentando nos fazer afundar junto, como afogados desesperados. E essas licitações do caralho, pra quê enchem o saco com isso? Política me irrita.
segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012
A Tal Da Empatia
Esse delicioso texto (pag 34) do Diego Rebouças me fez lembrar de uma história. Não lembro se já contei aqui... Bom, meu amigo Márcio tem um sítio e um dia ganhou um boi para fazer churrasco. Um boi inteiro, vivo. E foi assim que ficaram esperando a melhor oportunidade. Enquanto isso tiveram que cuidar do boi, trocando ele de pasto, alimentando, cuidando, dando vacina, tudo. E na hora de se referir àquele determinado boi (ele tinha outros bichos, principalmente cavalos) diziam: "trocou o churrasco de pasto?" ou "onde está o churrasco?" ou "Tragam o churrasco pra perto da casa que vai chover". E churrasco pra lá, churrasco pra cá o pobre bicho acabou virando o Churrasco. Nome próprio. E é o que dizem, não pode dar nome para bicho. Se der nome nunca mais terá coragem de vender, negociar, matar nem comer. Sem querer nomearam o pobre. E sem querer passaram a considerar o bicho como um ser individualizado, ao dar um nome se dá também alma. E o boi Churrasco está vivo até hoje, nunca mais ninguém teve coragem.
Formigas Do Samba
The City of Samba from Jarbas Agnelli on Vimeo.
O Rio de Janeiro é profissa no tema carnaval. Formigas trabalhadeiras. Ou melhor, cigarras trabalhadeiras.
Não Consegui...
Do Oscar só consegui ver JLo lendo um texto sobre vestir-se bem, Oscar de figurino. Ela falava algo do tipo "o vestido deve ser justo no lugar certo para valorizar e solto o suficiente para não deixar vulgar...". E aí desmaiei. Eu estava muito cansada da Sapucaí. E muito cansada para essa manga com furo no ombro. Mulher brega que se acha, essa JLo, hehehe. Sono.
Ainda Bem Que Fui
O pai? Amou, foi o último a abandonar a avenida, hehehe.
sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012
Sex And The City
Minha pergunta foi: Quem escreveu esse texto? A resposta da Flávia: O Wando. A descrição do prato é mais do que sexual, é porno-
gráfica. Marcamos na hora o tal almoço. Todo mundo aqui querendo viver a tal experiência de "atravessar a fibra e revelar o interior suculento". Muito a fins de romper a camada crocante e penetrar na carne. Loucos para lambuzar na mistura de ovo, doidos para arrematar o empanado. Meio dia e meia estávamos na porta esperando pela nossa vez. Alguns de nós atingiram o clímax. Não foi o meu caso. Achei um bom bife a milanesa mas podia ser mais grosso. Muita casca e pouca carne. O risoto é adocicado... Uma pena, brochei.
gráfica. Marcamos na hora o tal almoço. Todo mundo aqui querendo viver a tal experiência de "atravessar a fibra e revelar o interior suculento". Muito a fins de romper a camada crocante e penetrar na carne. Loucos para lambuzar na mistura de ovo, doidos para arrematar o empanado. Meio dia e meia estávamos na porta esperando pela nossa vez. Alguns de nós atingiram o clímax. Não foi o meu caso. Achei um bom bife a milanesa mas podia ser mais grosso. Muita casca e pouca carne. O risoto é adocicado... Uma pena, brochei.
quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012
Moda De Rua
Quem seria você nu em pelo, andando pelas ruas da cidade?
No máximo um colar no pescoço. Que estilo teria sem as roupas que usa? Qual seria a tua atitude, qual seria a tua turma, a tua tribo? Qual seria a tua postura, o teu olhar? O blog The Catorialist pode ajudar. Os flagrantes de gatos que remetem ao The Sartorialist, blog de fotos com moda de rua, deixam claro: humanos nunca alcançarão, nem vestidos, a elegância dos felinos.
No máximo um colar no pescoço. Que estilo teria sem as roupas que usa? Qual seria a tua atitude, qual seria a tua turma, a tua tribo? Qual seria a tua postura, o teu olhar? O blog The Catorialist pode ajudar. Os flagrantes de gatos que remetem ao The Sartorialist, blog de fotos com moda de rua, deixam claro: humanos nunca alcançarão, nem vestidos, a elegância dos felinos.
Quase Famosos
Vergonha passei eu ontem quando um amigo polonês me escreve pelo Facebook: "Marta, você está bem, estou vendo uma guerra em São Paulo por causa do carnaval. Você está "safe"?". Ele vive em Varsóvia. E pela televisão ou internet estava vendo um cara invadir a votação, um monte forçando os portões, e um outro tanto derrubando os alambrados em uma avenida. Viu também um carro alegórico pegando fogo. Expliquei que vivo em outro bairro e que ele estava vendo uma manifestação típica de São Paulo: torcidas de futebol incitadas a fazer baderna pelos dirigentes das escolas de samba. Bandido mancomunado com bandido na tentativa de impedir a contagem de votos. Ele entendeu perfeitamente. Parece que "hooligans" são comuns na Polônia também. E me deu a notícia que vai ser pai e festejamos e esquecemos do caso. Mas me deu a noção de proporção. A notícia se espalhou pelo mundo e em todo lugar deve ter passado em algum momento a imagem bizarra do carinha rasgando os votos como quem bagunça um tabuleiro. Sabe quando a gente é criança e está jogando com alguém, esse alguém está perdendo e mela tudo derrubando as peças e misturando tudo com as mãos? Isso. O carnaval de São Paulo, tal qual uma criança mimada que não sabe perder, fez isso. Típico ato de paulistano. Paulistano tem que ser o primeiro, tem que estar por cima, tem que chegar antes. Paulistano tem que ser o melhor. Senão não brinca. Paulistano é o menino que joga mal mas é dono da bola. O carnaval de São Paulo, o desfile, é patético. Cheio de buracos, pobre. Passistas desbotadas pela ausência de sol. O ar-condicionado deixa a mulherada verde. Os silicones são menores também para não destoarem dentro das roupas abotoadas até o pescoço. E mesmo assim quer ser o tal. São Paulo não faz samba enredo. São Paulo faz samba bom, muito bom, mas não é samba-enredo. O samba de São Paulo é um samba de boteco, é a roda de samba. Uma delícia. Menor, pequeno, íntimo. É marchinha, é bloco. E o povo todo vai atrás sim. Aqui na Vila Madalena, se passa um caminhão tocando marchinhas de carnaval, junta uma multidão. "A estrela Dalva, no céu desponta", "de tanto levá, frechada do seu olhar", "vem jardineira, vem meu amor". Delícia total. Mas não, a prefeitura quer ser grande, fazer mais dinheiro. Por que não ser o Rio de Janeiro? Toma! Está agora nas páginas de todos os jornais do mundo como um lugar de carnaval patético sem noção, sem códigos de conduta próprios, sem ética própria. Sem alma, sem DNA.
quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012
Debut Do Pessoal Do Interior
E obviamente vai render post no blog.
terça-feira, 21 de fevereiro de 2012
Paixão Fulminante
Eu estou muito feliz por ter assistido a O Artista com minha filha de 12 anos. Na idade dela eu assistia de tudo na televisão, incluindo os filmes mudos. Naquela época a gente tinha que ver o que estivesse passando, não tinha opção. Eram filmes de todas as décadas, um pout pourri tremendo de tudo quanto era estilo. Isso nos obrigou a conhecer um pouco de tudo. Hoje é bem mais segmentado. O Artista não é um filme mudo, algumas partes do filme tem som. O Artista é uma metáfora que usa a história de um ator de cinema mudo e uma atriz de cinema falado para falar muita coisa. Um filme sem palavras faladas mas que fala muita coisa. Arte pura. E como arte deve falar coisas diferentes a cada um, cada pessoa deve sair pensando uma coisa. Eu sai a mil. O filme para mim retoma uma estética perdida que adoro, uma brisa de elegância que me faz bem. Sinto um fastio do feio, do real e do brega no cinema, sinto saudades da beleza. E o filme também questiona o orgulho do reacionário. E escancara o otimismo da personalidade resiliente, a que se adapta ao novo. E é muito interessante que a mulher seja a que se adapta e o homem seja o que não aceita a mudança. A mulher a alma e o homem o corpo, como já diz o livro A Alma Imoral, de Nilton Bonder. A alma como a traidora, a que abandona tudo pelo novo. E o corpo apegado ao que já está estabelecido, fechado para o novo. Todos nós, homens e mulheres, temos um corpo e uma alma. O corpo nos mantém seguros mas é a alma que nos leva para frente. No filme o dilema é sobre o filme falado substituindo o filme mudo mas o discurso serve para qualquer mudança. Hoje, mais que nunca, as novas tecnologias tem mudado nossa vida. E sempre começa da mesma maneira: uns usando logo que aparece, outros xingando e jurando nunca usar. Os primeiros usando de maneira equivocada e exagerada e os últimos xingando e jurando nunca usar. Termina com todo mundo usando. O mundo gira, a gente acompanha, ou não. As regras mudam, a gente aprende as novas regras, ou não. E o mundo vai mudar sem a nossa permissão mesmo. Por fim, O Artista é uma linda história de amor, com cachorrinho fofo, roupas elegantes, pitadas de humor e final feliz. Um filme inteligente que faz a gente sair com um sorriso nos lábios e uma esperança no coração. E eu realmente acho que merecemos filmes lindos que aqueçam o coração. Nos fazem acreditar que merecemos uma vida igual.
What's the best way of communicating in the world today? Television? No. Telegraph? No. Telephone? No. Tell a woman.
Treine uma mulher, vale a pena. Mulher fala pra caramba, fala até demais. Mas se canalizarem toda nossa energia podemos acender uma cidade.
segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012
Amor Antigo
Estou vendo o desfile da Imperatriz Leopoldinense e lembrando: chorei muito ao ler Capitães da Areia, muito. Me debulhei em uma tristeza sem fim, uma desilusão total. Eu tinha uns 16 anos, a mesma idade dos protagonistas e claro, me identifiquei completamente. Não sei se me tocaria tão fundo hoje em dia mas ficou na memória como um dos livros mais lindos que eu já li. Tem livros que quando acabam a gente fica meio órfão, meio viúvo. E com pena de já ter lido porque aquela emoção nunca mais será sentida de novo, não daquela maneira exata. Virão outros livros mas aí é outra história. O que se viveu através daquele livro acaba com ele. E quando acaba vem o luto. Faz muito tempo que não sinto isso por uma ficção. Gostar de um livro é como se apaixonar, muito bom.
domingo, 19 de fevereiro de 2012
Filme Interessante
Fui ver J. Edgard e sai pensando na mãe dele. Em que momento ela ficou sabendo que o filho era gay? Em que momento uma mãe percebe isso, me perguntei. Deve ser muito no começo da adolescência ou mesmo antes disso, na infância. E por que quantidade de torturas ela deve passar. E se culpar. E tentar consertar. Até a aceitação total deve trilhar um caminho muito difícil e solitário. Hoje em dia menos mas antigamente cara, essas mulheres devem ter comido o pão que o diabo amassou na crença de que fosse algo que deveria de ser consertado a ferro e fogo. Na incapacidade de "consertar" o filho algumas acabavam optando por fingir que nada acontecia e que não estavam vendo nada. Se fingiam de sonsas. Dureza sem fim. Sofria o filho e sofria a mãe, calados, sem tocar no assunto. Acho que até hoje em dia ainda é assim em alguns casos. Uma mãe conhece seu menino profundamente. Não tem como não conhecê-lo. Todo dia cuidando daquela criança é possível perceber muita coisa. Quase tudo. Agora aceitar são outros quinhentos. Daí a enveredar pelo caminho da repressão são dois palitos. E o menino por sua vez reconhece o medo da mãe. E ama a mãe. E tem nela seu maior exemplo. E vai fazer de tudo para não entristecê-la. Que dura relação de amor mútuo profundo porém incapaz. Cada um dos dois fazendo o máximo que pode sem que o máximo seja suficiente. Clint Eastwood fez seu próprio Brokeback Mountain. Conseguiu contar essa história difícil de maneira muito real e humana. E Leonardo di Caprio está muito bem. E o ator que faz o papel do assistente/amante é lindo demais, demais, demais. É aquele moço que fez os gêmeos no filme da Rede Social. Que homem estonteantemente lindo ele é. O filme é meio arrastado mas emociona bastante. O único problema é que agora estou convencida de que J Edgar mandou matar os dois Kennedys e Martin Luther King somente para demonstrar a necessidade de seu bureau, brrrrrrrrr.
Ser Livre É Ser O Que Se Deseja Naquele Momento
Embora eu seja uma mulher absolutamente independente não consigo ver nada de errado com a submissão. Se submeter não é ser submetida. Se submeter é colocar-se em um lugar de submissão, por conta própria e por gosto. Obediência voluntária aos desejos de alguém escolhido. Mulheres emancipadas podem fazer esse papel, podem até gostar dele. É diferente de subserviência e é totalmente diferente de humilhação. Nós mulheres ocidentais estamos em um patamar onde já é possível saber a diferença. Não precisamos mais patrulhar todo e qualquer gesto, não precisamos mais ter medo que tudo remeta às humilhações do passado (como aquela ação movida contra a propaganda das calcinhas Hope). Existe sim um tipo de submissão aceitável, desejável e prazerosa. Um tipo de jogo onde a parte feminina é frágil e obediente. Uma hierarquia momentânea que garante bons momentos e que toda mulher inteligente usa na hora certa. Seria burrice querer estar por cima o tempo todo quando existe um leque gigante de outras posições para se estar.
Exagero Gospel
Tenho um amigo que outro dia postou todas as músicas que ele quer que toque em seu funeral. Uma lista imensa. Pelo jeito a gente vai ter que ficar horas no funeral dele. Pedi para que diminuisse a lista urgentemente. Funeral é chato demais, o morto, por pior que seja, vira santo e da nossa boca só sai chavão, ficamos obvios, quase burros. E na lista dos funerais mais insuportáveis do mundo eu colocaria esse da Whitney. Difícil ser superado pela falta de verdade intrínseca. O endeusamento é muito sem razão e aí fica patético. Primeiro, ela não era uma cantora espetacular. A voz podia ser linda mas o repertório era uma bobajada sem fim. Segundo, quem fez o discurso foi Kevin Costner. De longe o ator mais chato do universo. A frase: "Há uma mulher no céu fazendo o próprio Deus querer saber como pôde criar alguém tão perfeito" não faz nenhum sentido. Nem mesmo em um funeral. Como é babaca esse Kevin Costner (parece que ele falou também algo do tipo "queria ser seu guarda-costas para evitar o que aconteceu"). E o terceiro ponto, a música. Tudo, obviamente, terminou com I Will Always Love You. Que falar dessa música. Pertence ao mesmo panteão daquela outra do Titanic, My Heart Will Go On. São músicas que fazem a gente desejar ter uma espingarda. E atirar na cantora bem na hora do ápice. "Near, far, wherever you are...." (bum!). "And IIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIII...." (bum!). Uma pena Whitney ter morrido, ela tinha exatamente a minha idade e uma filha da idade do meu filho. Muitas coisas ainda iriam acontecer em sua vida assim como espero que aconteça na minha. Quarenta e oito anos hoje em dia é pouco mais da metade da expectativa de vida. Nessa idade ainda temos filhos que precisam da gente, dos nossos conselhos, da nossa experiência e jovialidade. Ainda temos trabalho a fazer, coisas novas para criar, amores para viver. Destinos ainda desconhecidos, netos que ainda não nasceram. A morte precoce dela é uma pena. Como seria de qualquer mulher na sua idade. Mas o funeral pecou pelo exagero, menos seria mais apropriado.
sábado, 18 de fevereiro de 2012
sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012
Pelas Meninas Do Futuro
"Na hipótese vertente, as circunstâncias delineadas nos autos demonstram que o réu agiu com frieza, premeditadamente, em razão de orgulho e egoísmo, sob a premissa de que Eloá não poderia, por vontade própria, terminar o relacionamento amoroso. Tal estado de espírito do agente constituiu a força que determinou a sua ação."
Linda sentença. Condenação exemplar. Exemplo para os próximos que virão. Porque todo dia tem um louco se aproximando de uma menina e infernizando a vida dela, se achando o rei do caqui, achando que o simples fato de a desejar o torna proprietário. Que o destino proteja as nossas.
Linda sentença. Condenação exemplar. Exemplo para os próximos que virão. Porque todo dia tem um louco se aproximando de uma menina e infernizando a vida dela, se achando o rei do caqui, achando que o simples fato de a desejar o torna proprietário. Que o destino proteja as nossas.
quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012
Mundo De Destros
Esta na moda processar tratamentos considerados exclusivos. Homofobia por exemplo, está na moda considerar toda e qualquer coisa como homofobia. Outro dia um comentário meu no Facebook foi considerado homofóbico por uma biba militante e ele acionou o botão pânico. Fui instada pelo Facebook a excluir o dito comentário que era "essa é a diferença entre mulheres e gays, mulheres não gostam de sunga!". Como mais de um gay achou isso ofensivo exclui o comentário com uma enorme ? na cabeça. Isso é comentário homofóbico? Não sabia. Mas se é então tiro. Imagino o que me aconteceria se eu escrevesse outras coisas que falo, seria linchada. Dias de Voldemorte. E os Comensais da Morte andam por aí, junto com os Dementadores, sedentos de vingança pelos séculos de opressão. Pois bem, está na moda processar tratamentos exclusivos e tendenciosos. Então resolvi me defender também: sou canhota e como tal tenho sido desprezada. O mundo pouco se importa conosco. Tudo é desenhado em favor dos destros. Olha essa escada acima!!! Você é obrigado a começar sua subida com o pé direito. Processo nela. Nós canhotos não podemos comprá-la, usá-la, e foi desenhada por um destro, para destros. E foi fabricada por um dono destro de uma marcenaria destra. As catracas do metrô. Foram desenhadas para destros, cansei de colocar o bilhete com a mão esquerda e passar pela roleta que não está aberta. Dói muito. Réguas, canetas esferográficas. Não servem para os canhotos. A escrita ocidental que vai da esquerda para a direita, não serve aos canhotos. Borramos tudo o que acabamos de escrever. A única escrita universal e democrática é a oriental que vai de cima abaixo. É tempo de nos defendermos, de exigirmos um tratamento igual pela sociedade. Chega de ter que abrir lata com a mão direita. Não somos obrigados. E não venham com produtos para canhotos. Fazer coisa especial para canhoto é canhotofobia. Queremos que o mundo sirva para nós mas sem paternalismos. Queremos que tudo seja universal. Como entrar no metrô de maneira universal? Sei lá.
terça-feira, 14 de fevereiro de 2012
Menos Comida Nesse Prato
Lindberg Alves matou a ex-namorada na frente de um monte de testemunhas. Está sendo julgado porque existe a possibilidade de ser condenado com algum atenuante e pegar menos pena. Claro que quero que apodreça na cadeia. E se existisse pena de morte que fosse morto com um tiro na virilha. Não tenho pena de assassinos passionais. Estar sob forte emoção e portanto matar a mulher que não o quer mais não me convence de nada a favor do assassino. Forte emoção de cú é rola. "Se ela não for minha não será de mais ninguém" é uma frase das mais estúpidas do mundo e só demonstra ser o cidadão que a profere um deslumbrado. "Como ele está gordo", disse minha empregada hoje. Sim, está gordo mesmo, a prisão tem feito bem a Lindberg. Forte, corado, sério, compenetrado. Esperançoso de sair um dia. Já houve dias em que esses tipos saiam incólumes. Muitas são as histórias de mulheres assassinadas e seus assassinos levando vida normal por aí. Mas isso acabou por aqui por essas bandas. Hoje, se matar uma mulher terá que pagar (com prisão apenas, infelizmente). Não somos mais propriedade de pais e maridos. Muito menos de namorados. Se o cara levou um pé na bunda existe uma boa razão. Que vá curar a dor de corno (como todo mundo faz) e não venha encher o saco de uma sociedade inteira. E tem mais, detesto saber que uma parte dos meus impostos é usada para mantê-lo assim alimentado. Porque hoje eu estou Datena!
Fome Monstro
Pelas fotos do quarto do hotel, Whitney tomou uma cerveja e um champagne. Ai comeu um hamburguer com batatas e um sanduiche de peru com jalapeño. Em seguida engoliu alguns comprimidos e entrou na banheira. Deve ter tido uma congestão mas como estava apagada morreu afogada. Ela usou até crack mas o que a matou foi um sanduiche de jalapeño com peru depois de um hamburguer com batata. Comida americana é um tipo de droga também então não estão errados em dizer que as drogas a mataram. Comia bem a moça, engolir dois sanduíches american size não é para qualquer mulher.Ou então ela estava acompanhada, seu amigo comeu um dos sanduíches e bebeu a cerveja. Ela tomou os comprimidos e ele a afogou na banheira.
Ou o cara queria um dos sanduíches mas ela não deu. Ele tomou os comprimidos e o champagne. Indignada ela foi para a banheira com o jalapenõ. Ele tentou roubar a pimenta, ela foi tirar da mão dele mas escorregou e caiu.
Ou o cara tomou os tranquilizantes e dormiu. Por isso não ouviu ela se afogando na banheira. Quando acordou era tarde demais. Deixou a bandeja no chão do banheiro e fugiu com um terceiro sanduíche de mortadela.
segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012
Se Superando
Simpsons Disturbuing Intro brought to you by
Imagina o horror que deve ser para um gringo politicamente correto ver essa abertura dos Simpsons! Adoro!
domingo, 12 de fevereiro de 2012
Que sono...
Ouse ser uma política mulher primeira ministra conservadora e será depois retratada como uma velha caquética assombrada por um marido que não para de falar um segundo. Eu não lembrava mais direito da trajetória de Margaret Thatcher e esse filme não ajuda muito também. Tive que ir ao Google enquanto via para me lembrar. O episódio mais interessante para mim é que foi ela que deu a autorização para que se revidasse a invasão das Malvinas dando início a guerra com a Argentina. Fui ler sobre isso para entender melhor e a verdade é que os militares argentinos foram muito estúpidos. Se a Argentina tem aqueles carros velhos na rua imagino a frota de guerra. Bom, chacina, morreram 649 argentinos versus 258 britânicos. Ouse ser mulher política consevadora matadora de argentinos que será retratada como uma velha caquética a mercê das lembranças do passado em um filme chato que dói. Eu nem colocaria esse filme em uma prateleira de filmes. Colocaria logo em uma prateleira de aulas de interpretação, capítulo imitação. Meryl Streep arrasa. Mas não salva o filme porque ele foi feito de uma maneira ligeiramente tendenciosa. Quem fez não gosta dela, da verdadeira. E aí fica difícil. Prefiro a celebridade retratada com seus prós e contras para que eu decida se vou gostar dela ou não. Quando a coisa toda é tendenciosa para o mal ou para o bem (como o filme da história de Lula) aí me dá preguiça mortal. Quando tem um fantasma de um marido chato p'acarai pior. Fui ler a história do marido e ele não foi um idiota, foi um cara militante também (no filme é um bobo alegre de pijamas). Dilma que se cuide, não terão com ela a mesma boa vontade que com Lula na hora de fazer filme. Mulheres fortes não tem a boa vontade de ninguém. Mulheres fortes causam mais medo que homens fortes, sei lá por que...Esse filme me fez dormir na banheira e por pouco não tenho o mesmo fim da Whitney. Que por sinal deve ter sido amaldiçoada para que acontecesse isso tudo, e acho que foi naquele filme O Guarda-Costas. Aquelas cenas insuportáveis do Kevin Costner carregando ela nos braços em câmera lenta, ninguém merecia aquilo. Ela bem poderia ter saído correndo mas não, ia no colo!
Apresento-lhe A Lua E O Sol
Uma mesma coisa dita de forma diferente, isso é a tal da poesia. É falar de uma maneira que faz parecer elevado. Faz parecer não, eleva mesmo. Por exemplo: "Cê parece um anjo. Só que não tem asas iaiá. Oh meu Deus! Quando asas tiver... Passe lá em casa... E ao sair, pr'as estrelas eu vou te levar, Com a ajuda da brisa do mar te mostrar onde ir..". Essa poesia musicada tem o mesmíssimo sentido da horrenda: "E passou a menina mais linda Tomei coragem e comecei a falar Nossa, nossa Assim você me mata Ai se eu te pego, ai ai se eu te pego". Indo por partes: "Cê parece um anjo só que não tem asas" é a mesma coisa que "E passou a menina mais linda". O cara falando que a mulher chamou a atenção dele pela extrema beleza. Ai seguimos para "Oh meu Deus!" que é a mesma coisa que "Nossa, nossa" já que nossa vem de Nossa Senhora. Uma divindade citada como expressão de assombro. E por final temos "Quando asas tiver... Passe lá em casa... E ao sair, pr'as estrelas eu vou te levar, Com a ajuda da brisa do mar te mostrar onde ir.." que é a mesmíssima coisa que "Ai se eu te pego, ai ai se eu te pego". O cara falando que se ela quiser ir na casa dele não vai se arrepender. Uma das letras embeleza a coisa toda da sedução, a outra banaliza, simplifica e até ofende um pouco porque fala exatamente o que um pedreiro de construção falaria só que sem o humor. Uma exalta a mulher, dá a entender que aquela mulher é única para aquele compositor. A outra trata como um objeto de consumo daquela noite. Michel Teló irrita porque não tem poesia, não tem humor, só tem ritmo e melodia. As pessoas cantando e dançando parecem macacos treinados que não sabem o que estão falando. Já a linda letra e música de Maskavo, Asas, não vira sucesso mundial embora tenha letra linda e melodia idem. Para compreende-la é preciso se elevar a uma categoria intelectual mais sofisticada que a de um primata. E isso deve ser meio cansativo.
sábado, 11 de fevereiro de 2012
A Se Eu Tivesse Um Jornal...
sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012
Até Onde Alcanço
Quando um filho nasce a gente logo percebe, é um pequeno neanderthal. Não sabe nada. Se deixar enfia a mão na fralda e come o próprio cocô. Eu não comi meu cocô mas comi cocô de gato, contava minha mãe. Isso deve explicar muita coisa... Para um filho a gente tem que ensinar tudo. Pegar em uma colher, não soltar pum alto em público, não falar tudo o que pensa. Não acariciar o pipi na frente da avó nem na frente das visitas, só lá no quarto. Não arrotar na mesa, não enfiar o dedo no nariz e limpar na toalha. Algumas muitas coisas a gente ensina, algumas muitas coisas a gente educa. Mas outras não. Tem coisas, conceitos, controles, aceitação, auto-estima, serenidade, valorização, auto-estima, auto-estima, auto-estima, senso de oportunidade, calma, observação, resiliência, auto-estima que não tem como ensinar. Vai ser a vida e as experiências que terminarão por formar aquele ser-humano. E aí é um pânico porque a criatura poderá aprender ou não. E se ela não aprender teremos que conviver o resto da vida com isso, assistir até o fim da vida a um filho se auto-boicotar. Conselhos toda mãe dá na tentativa desesperada de arrancar as experiências de toda uma vida e implantar na cabeça dos filhos. Mas não adianta muito, eles tem que viver pra saber. Eles tem que sofrer pra saber. Eles tem que se desiludir, se desesperar, se perder, se confundir para entender. Igual foi com a gente. Quisera eu passar por essa vida sem ver um filho tomar uma má decisão, quisera eu passar incólume pelos dilemas, pelas dúvidas, pelas lágrimas. Mas não vai ser assim, não sou uma super-mãe. Sou uma mãe igual a qualquer outra. Só posso defender meus filhos até certo ponto, dali pra frente é com eles. Há que ter fé.
quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012
Eu Estou Bem, Eu Estou Super Bem!
Já notei que as pessoas que sentem a morte muito próxima ficam atacadas por um siricutico. Como se sair correndo e fazer mil coisas sinalizasse estar a morte bem longe, estar a batalha ganha. Quando vi o documentário de Saramago em seus últimos dias, José & Pilar, era assim, um vai e vem, prá lá e pra cá, um desassossego dele e da esposa. Sendo que no caso dele a proximidade da morte era pela idade avançada, coisa que não tem cura. Mas acontece também com quem está convalescente. O cara, em vez de descansar, sai fazendo coisas e mais coisas como quem diz "olha como estou curado!". Acabo de ler que Reynaldo Gianecchini está se recupernado muito bem logo vai fazer novela em 2012. Ou seja, já que o tratamento está dando resultados ele vai se comprometer a filmar novela todo dia. Meu Deus, pra quê isso? Por que não se dar um tempo, repousar, cuidar muito bem da saúde. Se exercitar, tirar um ano sabático. Cuidar da mente, meditar, se espiritualizar, o que seja. Olhar para dentro de si, estar com os queridos. Ter tempo para si mesmo. Mas não, não é assim que funciona. Lula queria sair no carnaval!!! Queria pular na avenida!!!! Sério, cara, as pessoas quase perdem a vida mas parece que voltam mais descuidadas com a saúde. Coisa estranha...
E os sanguessugas de plantão querem é isso mesmo, que eles apareçam, que se exponham, que demonstrem invulnerabilidade, alto astral, energia. Para dessa maneira estancarem o medo (da morte) que suas doenças causaram em todos os demais.
E os sanguessugas de plantão querem é isso mesmo, que eles apareçam, que se exponham, que demonstrem invulnerabilidade, alto astral, energia. Para dessa maneira estancarem o medo (da morte) que suas doenças causaram em todos os demais.
Efeito Demi Moore, Só Que Ao Contrário
Estou passada com o trabalho da italiana Anna Utopia Giordano. Ela emagreceu as vênus do Renascimento com Photoshop. O resultado é tremendamente revelador para mim. Eu sempre ouvia alguns amigos homens falarem de quanto apreciam as curvas das mulheres e como a magreza era brochante. Eu achava um disparate. Mulher linda é mulher magra, dizia eu. Mas hoje, ao ver essas fotos, caiu uma aspirina gigante na minha cabeça "póim!". Não, não é mais sexy. A magreza não é sexy. É uma convenção, uma regra moderna, uma coisa que nos fizeram acreditar. A magreza é uma coisa boa para a fotografia e os fotógrafos. Facilita a vida desses caras e das publicações, das revistas de moda. Mas a realidade é que a magreza torna a mulher muito mais infantil, menos mulher, menos adulta, menos madura. Estou passada. Hoje com certeza exibirei minhas curvas com muito menos questionamentos...


quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012
Vida Moderna
Eu acho possível, observando o cotidiano, desconfiar de quem seria quem se vivêssemos em um regime totalitarista. Tipo, se entrássemos numas de implementar um regime nazista quem seria nazista e quem seria da resistência. Claro que teríamos surpresas, inclusive conosco, mas algumas pessoas não seriam surpresa nenhuma. Eu sei quem, das centenas de pessoas que conheço, se converteria rapidamente ao Fuhrer. Tem um par aí que rapidamente entraria no jogo. E sei quem nunca entraria. Alguns poucos que conheço não se renderiam de jeito nenhum. A maioria seria "o povo". Aquela massa calada que não diz nem sim nem não, muito pelo contrário. E espera para ver para onde o vento sopra mais forte. A maioria não se posiciona em nada. Não fala, não escreve, não comenta, não curte, não odeia nem ama. Só observa. E espera. Em tempos de amarelo a maioria é amarela, em tempos de vermelho também. Se a regra é matar, mata. Se a regra é preservar, preserva. A maioria não se arrisca a ter uma opinião, a não ser a de que tem que seguir e defender o estabelecido. Nem todo mundo nasceu para liderar. A maioria nasceu para seguir. E seguirá sempre o líder, quer seja um homem quer seja uma idéia estabelecida. Por isso me encanto com os levantes. Aqueles poucos momentos da história onde a maioria discorda do estabelecido e derruba regimes, presidentes, lideres religiosos. São momentos tão raros quanto essa flor que nasce e morre na mesma noite. Mas que vale a pena ficar acordado para ver sua beleza fugaz. Porque na maioria dos dias somos apenas um bando de gente, uma manada, seguindo regras, como tem que ser. Só que muitas vezes essas regras são completamente idiotas.
terça-feira, 7 de fevereiro de 2012
segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012
Ideias Que Pulam Da Cabeça: Prateleira Refrigerada
Por que ainda não existe uma prateleira refrigerada que a gente possa colocar em cima da mesa para colocar frios, queijo e manteiga? Uma coisa portátil e razoavelmente pequena que mantenha as coisas geladinhas em cima da mesa? Hoje em dia cada pessoa da família come em uma hora diferente, seria bom poder deixar as coisas frias na mesa sem que esquentem ou estraguem.
domingo, 5 de fevereiro de 2012
Furoshiki Resolvendo O Supermercado
Os japoneses usam panos coloridos para embrulhar as coisas. Esses panos se chamam furoshiki. Existem várias técnicas de amarrar e embrulhar, cada uma com um nome diferente, e fica bem bonito. Mas além de bonito é muito prático também. Se a gente carrega uns tecidos quadrados pode transformá-los rapidamente em sacolas para carregar as coisas do supermercado. Nesses tempos de abolição do saco plástico o furoshiki pode resolver muita coisa. Nas lojas japonesas tem furoshikis dos mais variados tecidos e estampas mas nada impede que façamos nossos próprios furoshikis com tecidos nacionais. Os japoneses utilizam para embrulhar comida, para fazer pacote de presente, para carregar coisas, para tudo no dia a dia. Vale a pena tentar aprender.sábado, 4 de fevereiro de 2012
Empatia Zero
Paciência zero para esse filme A Pele Que Habito.Zero saco para esse delírio, ou melhor dizendo metáfora. Almodóvar já ultrapassou meu limite, não entendo mais (ou entendo mas o que entendo não me interessa). Daqui pra frente ele vai indo e eu fico aqui pra trás mesmo. Quando uma coisa não fala conosco temos mil razões para não gostar mas o que aconteceu mesmo é que não rolou a famosa empatia, aquela coisa que vem de dentro, sabe? O tema não é universal, pode ter certeza. No meu caso estou no corpo certo, nada está trocado, estou na boa e esse delírio, ou melhor dizendo metáfora, me dá no saco.
A única coisa que para mim rende alguma discussão é: por que espanhol acha que falar dando ênfase em algumas sílabas das palavras é imitar sotaque português? Meus amigos argentinos também fazem isso quando tentam falar português... coisa esquisita... "Tô fazêêêndo" "Tô esperââândo" "Eu tô falââândo". Eles imitam paulistano falando e se acham falando português, rs. E as vezes misturam Rio com São Paulo e falam "Tô exxxperââândo".
Esse filme de Almodóvar é como aquela propaganda argentina que diz: si no es para vos, no es para vos. Não é pra mim.
Mil Paredes Abaixo
Não sou uma adepta do loft como conceito de casa. Não tenho uma vida propícia para esse estilo e não gosto também. Grandes ambientes com poucos móveis me deixam desconfortável. Gosto de paredes embora isso seja fora de moda. Gosto de cantinhos, nichos, esconderijos. Até me encanto com as salas conectadas às cozinhas mas depois penso bem e acho uma fria. Para a casa que usa a cozinha para cozinhar todo dia não ter uma porta e uma parede significa deixar a casa toda impregnada dos odores todos dos processos de fritura, de refogados, de assados. Gosto das grandes cozinhas que tem uma mesa grande e onde as pessoas sentam para conversar mas que continuam separadas do resto da casa. Acho mais prático e higiênico. Os grandes espaços são lindos, a gente olha e deseja na hora. Mas se for ler um livro buscará refúgio em um cantinho, seguramente. Tenho saudades de quando existiam as salas nos escritórios e a gente ficava lá dentro em poucas pessoas. Agora é tudo aberto, grandes ambientes cheios de gente que ouve e vê tudo, se quiser marcar um papa nicolau tem que falar muito baixo ou pegar o celular e ir pro banheiro. Mas a moda é a ausência de paredes e o povo gosta assim. Meu apartamento é planta original, não mudei nada. Acho inclusive muito bem distribuido assim. Mas meus vizinhos todos mudaram. Os apartamentos que conheço são todos mudados. Alguns ficaram sem parede nenhuma de cabo a rabo. Sala e dois quartos tudo emendado. Será que meu prédio vai cair? Está me dando uma aflição pensar nisso. São 13 andares com apartamentos completamente reformados. Não existe nenhuma pessoas que mude pra cá que não mude tudo. Compra um apartamento de 4 quartos, sala, cozinha, 3 banheiros e um lavabo e transforma em um com sala gigante e um quarto. Sala gigante e dois quartos; sala média e quarto gigante, e por aí vai. Hoje em dia é quase brega morar em uma apartamento que não tenha alguma parede derrubada. Depois do desastre no Rio de Janeiro tenho sentido que todos moramos nessas casas de cupim cheias de furos por dentro. Ou pior porque o cupim sabe por instinto o que está fazendo, já o ser humano não segue mais instinto nenhum, segue apenas a foto da revista de decoração.
sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012
quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012
Mais Animal Que O Bicho
Segunda-feira o cachorro mimado da minha amiga mordeu ela. Chegamos para a festa de aniversário e ela estava com a boca inchada, o dente quebrado, o braço cheio de hematomas. Ficamos putas. Onde já se viu, esse cachorro avançar assim nela, se esquecer de todo o carinho que recebe, ser tão ingrato. Etc, etc, etc. Depois que passou o susto ficamos mais condescendentes: "Afinal ele é um bicho, não é um ser humano...". Agora, quando leio sobre essa briga de torcidas em um jogo de futebol no Egito, 74 mortos, volto a pensar nisso. O cachorro é um bicho mas o ser humano também. O ser humano é um animal capaz de atacar por razões tão imponderáveis quanto. E o ser humano é pior que o cachorro porque tem consciência. Quando está matando, sabe que está matando. E quando está matando por causa de futebol, sabe que está matando por causa de futebol. Porque a bola não entrou na rede, porque o juiz não deixou a bola entrar na rede, porque tiraram sarro que a bola não entrou na rede. O ser humano é um bicho chamado homo sapiens, auto intitulado assim porque a suposta sabedoria deveria fazer parte da raça, por causa da inteligência. Mas não faz. O ser humano deveria se chamar homo racionalis, homo pensantus, homo inteligentus. Homo Sapiens é muita pretenção.
quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012
Os Descendentes (spoiler)
Alguém entendeu por que Os Descendentes está concorrendo ao Oscar? Eu não entendi. O filme é legalzinho, com bons atores, bem dirigido mas a história é muito chata. Alguém está interessado em uma adúltera em estado de coma, seu marido perplexo e suas filhas mal educadas? Em uma Capitu com morte cerebral? Pessoas com morte cerebral não tem mais pecados, estão perdoadas. Não existe dilema nenhum (e se existe prefiro o viuvo que derruba o túmulo da esposa "adúltera" em O Quinteto Irreverente, saindo do cemitério livre da dor). E o George Clooney ir lá tascar um beijo na mulher do amante é nojento, bleargh. E a mulher do amante ir lá perdoar a semi-morta é ridículo. E a família ser mais unida sem a mãe adúltera é uma sacanagem, homens são adúlteros a milênios e ninguém faz filme com final assim. Deve ser filme de homem para homem porque eu acho que não entendi. Mas se for o que eu entendi, um filme sobre o calvário de um cornudo até a redenção do perdão, me poupem.
Sabedoria É Uma Maneira De Ver As Coisas
"Por isso é imprescindível revisitar um monge beneditino que há aproximadamente 1300 anos viveu na Inglaterra: Beda, que, além de ter sido santificado pela igreja no período também era chamado de O Venerável... Beda nos legou uma prescrição em forma de advertência, na qual diz que há 3 caminhos para a infelicidade (ou fracasso): 1) não ensinar o que sabe; 2) não praticar o que se ensina; 3) não perguntar o que se ignora.
Uma tríade assim arremessa a idéia de sucesso para muito além do que todos acreditam nos nossos modernos tempos; poderíamos dizer - retomando pelo positivo as três advertências de Beda - que o sucesso está na generosidade mental (ensinar o que se sabe), na honestidade moral (praticar o que ensina) e na humildade inteligente (perguntar o que ignora). Nesse sentido, o ensinamento do monge está impregnado do que entendemos ser a sabedoria, ou melhor, a sapiência."
(obrigada Carlinhos baby por me apresentar uns vídeos do autor)
Uma tríade assim arremessa a idéia de sucesso para muito além do que todos acreditam nos nossos modernos tempos; poderíamos dizer - retomando pelo positivo as três advertências de Beda - que o sucesso está na generosidade mental (ensinar o que se sabe), na honestidade moral (praticar o que ensina) e na humildade inteligente (perguntar o que ignora). Nesse sentido, o ensinamento do monge está impregnado do que entendemos ser a sabedoria, ou melhor, a sapiência."
(obrigada Carlinhos baby por me apresentar uns vídeos do autor)
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