Eu estou muito feliz por ter assistido a O Artista com minha filha de 12 anos. Na idade dela eu assistia de tudo na televisão, incluindo os filmes mudos. Naquela época a gente tinha que ver o que estivesse passando, não tinha opção. Eram filmes de todas as décadas, um pout pourri tremendo de tudo quanto era estilo. Isso nos obrigou a conhecer um pouco de tudo. Hoje é bem mais segmentado. O Artista não é um filme mudo, algumas partes do filme tem som. O Artista é uma metáfora que usa a história de um ator de cinema mudo e uma atriz de cinema falado para falar muita coisa. Um filme sem palavras faladas mas que fala muita coisa. Arte pura. E como arte deve falar coisas diferentes a cada um, cada pessoa deve sair pensando uma coisa. Eu sai a mil. O filme para mim retoma uma estética perdida que adoro, uma brisa de elegância que me faz bem. Sinto um fastio do feio, do real e do brega no cinema, sinto saudades da beleza. E o filme também questiona o orgulho do reacionário. E escancara o otimismo da personalidade resiliente, a que se adapta ao novo. E é muito interessante que a mulher seja a que se adapta e o homem seja o que não aceita a mudança. A mulher a alma e o homem o corpo, como já diz o livro A Alma Imoral, de Nilton Bonder. A alma como a traidora, a que abandona tudo pelo novo. E o corpo apegado ao que já está estabelecido, fechado para o novo. Todos nós, homens e mulheres, temos um corpo e uma alma. O corpo nos mantém seguros mas é a alma que nos leva para frente. No filme o dilema é sobre o filme falado substituindo o filme mudo mas o discurso serve para qualquer mudança. Hoje, mais que nunca, as novas tecnologias tem mudado nossa vida. E sempre começa da mesma maneira: uns usando logo que aparece, outros xingando e jurando nunca usar. Os primeiros usando de maneira equivocada e exagerada e os últimos xingando e jurando nunca usar. Termina com todo mundo usando. O mundo gira, a gente acompanha, ou não. As regras mudam, a gente aprende as novas regras, ou não. E o mundo vai mudar sem a nossa permissão mesmo. Por fim, O Artista é uma linda história de amor, com cachorrinho fofo, roupas elegantes, pitadas de humor e final feliz. Um filme inteligente que faz a gente sair com um sorriso nos lábios e uma esperança no coração. E eu realmente acho que merecemos filmes lindos que aqueçam o coração. Nos fazem acreditar que merecemos uma vida igual.
terça-feira, 21 de fevereiro de 2012
Paixão Fulminante
Eu estou muito feliz por ter assistido a O Artista com minha filha de 12 anos. Na idade dela eu assistia de tudo na televisão, incluindo os filmes mudos. Naquela época a gente tinha que ver o que estivesse passando, não tinha opção. Eram filmes de todas as décadas, um pout pourri tremendo de tudo quanto era estilo. Isso nos obrigou a conhecer um pouco de tudo. Hoje é bem mais segmentado. O Artista não é um filme mudo, algumas partes do filme tem som. O Artista é uma metáfora que usa a história de um ator de cinema mudo e uma atriz de cinema falado para falar muita coisa. Um filme sem palavras faladas mas que fala muita coisa. Arte pura. E como arte deve falar coisas diferentes a cada um, cada pessoa deve sair pensando uma coisa. Eu sai a mil. O filme para mim retoma uma estética perdida que adoro, uma brisa de elegância que me faz bem. Sinto um fastio do feio, do real e do brega no cinema, sinto saudades da beleza. E o filme também questiona o orgulho do reacionário. E escancara o otimismo da personalidade resiliente, a que se adapta ao novo. E é muito interessante que a mulher seja a que se adapta e o homem seja o que não aceita a mudança. A mulher a alma e o homem o corpo, como já diz o livro A Alma Imoral, de Nilton Bonder. A alma como a traidora, a que abandona tudo pelo novo. E o corpo apegado ao que já está estabelecido, fechado para o novo. Todos nós, homens e mulheres, temos um corpo e uma alma. O corpo nos mantém seguros mas é a alma que nos leva para frente. No filme o dilema é sobre o filme falado substituindo o filme mudo mas o discurso serve para qualquer mudança. Hoje, mais que nunca, as novas tecnologias tem mudado nossa vida. E sempre começa da mesma maneira: uns usando logo que aparece, outros xingando e jurando nunca usar. Os primeiros usando de maneira equivocada e exagerada e os últimos xingando e jurando nunca usar. Termina com todo mundo usando. O mundo gira, a gente acompanha, ou não. As regras mudam, a gente aprende as novas regras, ou não. E o mundo vai mudar sem a nossa permissão mesmo. Por fim, O Artista é uma linda história de amor, com cachorrinho fofo, roupas elegantes, pitadas de humor e final feliz. Um filme inteligente que faz a gente sair com um sorriso nos lábios e uma esperança no coração. E eu realmente acho que merecemos filmes lindos que aqueçam o coração. Nos fazem acreditar que merecemos uma vida igual.
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2 comentários:
Eu ainda sou do tempo que passava "I love Lucy" na TV aberta porque era barato e a TVS (hoje SBT) era pobrinha.
O mais legal nesse pout-pourri de filmes que a tv exibia era justamente o fato de que a gente podia trocar ideia de tudo e mais um pouco na escola, lembro que todos os meus colegas curtiam de tudo mesmo (de Sexo, Mentiras & Videotape à Casablanca e Tempos Modernos com Chaplin). Tenho dó de hoje em dia, como sou professor vejo que muitas vezes adolescentes não conhecem nem mesmo ícones como Monroe, Carmen Miranda ou Rita Hayworth... Tenho peninha deles e suas horas perdidas com os 'astros' dos 'Crepúsculos' da vida.
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