domingo, 19 de fevereiro de 2012

Exagero Gospel

Tenho um amigo que outro dia postou todas as músicas que ele quer que toque em seu funeral. Uma lista imensa. Pelo jeito a gente vai ter que ficar horas no funeral dele. Pedi para que diminuisse a lista urgentemente. Funeral é chato demais, o morto, por pior que seja, vira santo e da nossa boca só sai chavão, ficamos obvios, quase burros. E na lista dos funerais mais insuportáveis do mundo eu colocaria esse da Whitney. Difícil ser superado pela falta de verdade intrínseca. O endeusamento é muito sem razão e aí fica patético. Primeiro, ela não era uma cantora espetacular. A voz podia ser linda mas o repertório era uma bobajada sem fim. Segundo, quem fez o discurso foi Kevin Costner. De longe o ator mais chato do universo. A frase: "Há uma mulher no céu fazendo o próprio Deus querer saber como pôde criar alguém tão perfeito" não faz nenhum sentido. Nem mesmo em um funeral. Como é babaca esse Kevin Costner (parece que ele falou também algo do tipo "queria ser seu guarda-costas para evitar o que aconteceu"). E o terceiro ponto, a música. Tudo, obviamente, terminou com I Will Always Love You. Que falar dessa música. Pertence ao mesmo panteão daquela outra do Titanic, My Heart Will Go On. São músicas que fazem a gente desejar ter uma espingarda. E atirar na cantora bem na hora do ápice. "Near, far, wherever you are...." (bum!). "And IIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIII...." (bum!). Uma pena Whitney ter morrido, ela tinha exatamente a minha idade e uma filha da idade do meu filho. Muitas coisas ainda iriam acontecer em sua vida assim como espero que aconteça na minha. Quarenta e oito anos hoje em dia é pouco mais da metade da expectativa de vida. Nessa idade ainda temos filhos que precisam da gente, dos nossos conselhos, da nossa experiência e jovialidade. Ainda temos trabalho a fazer, coisas novas para criar, amores para viver. Destinos ainda desconhecidos, netos que ainda não nasceram. A morte precoce dela é uma pena. Como seria de qualquer mulher na sua idade. Mas o funeral pecou pelo exagero, menos seria mais apropriado.

1 comentários:

Papai Urso do Interior disse...

Fui criança/pré-adolescente nos 80 e jovem/pré-adulto nos 90 e lembro que não gostar de Whitney naquele tempo era um pecado mortal, já nos 90 era a chata da Celine Dion (eu odiava!) mas fosse eu falar que não gostava dela e que achava aquele jeito dela muito dramático ao cubo, diriam que eu era louco. Nossa lembro que uma vez pediram que eu me calasse para ouvi-la cantar num desses programas de clipes da tv, huahahahah... Tudo passa, tudo passará... huahahah, mas sabe acho que Whitney cantava com o coração antes das drogas invadirem a vidinha dela. Bem no comecinho ela fazia duetos bem legais com Jermaine Jackson (irmão de Michael), não era bregão, era pop romantico da melhor qualidade.