sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Até Onde Alcanço

Quando um filho nasce a gente logo percebe, é um pequeno neanderthal. Não sabe nada. Se deixar enfia a mão na fralda e come o próprio cocô. Eu não comi meu cocô mas comi cocô de gato, contava minha mãe. Isso deve explicar muita coisa... Para um filho a gente tem que ensinar tudo. Pegar em uma colher, não soltar pum alto em público, não falar tudo o que pensa. Não acariciar o pipi na frente da avó nem na frente das visitas, só lá no quarto. Não arrotar na mesa, não enfiar o dedo no nariz e limpar na toalha. Algumas muitas coisas a gente ensina, algumas muitas coisas a gente educa. Mas outras não. Tem coisas, conceitos, controles, aceitação, auto-estima, serenidade, valorização, auto-estima, auto-estima, auto-estima, senso de oportunidade, calma, observação, resiliência, auto-estima que não tem como ensinar. Vai ser a vida e as experiências que terminarão por formar aquele ser-humano. E aí é um pânico porque a criatura poderá aprender ou não. E se ela não aprender teremos que conviver o resto da vida com isso, assistir até o fim da vida a um filho se auto-boicotar. Conselhos toda mãe dá na tentativa desesperada de arrancar as experiências de toda uma vida e implantar na cabeça dos filhos. Mas não adianta muito, eles tem que viver pra saber. Eles tem que sofrer pra saber. Eles tem que se desiludir, se desesperar, se perder, se confundir para entender. Igual foi com a gente. Quisera eu passar por essa vida sem ver um filho tomar uma má decisão, quisera eu passar incólume pelos dilemas, pelas dúvidas, pelas lágrimas. Mas não vai ser assim, não sou uma super-mãe. Sou uma mãe igual a qualquer outra. Só posso defender meus filhos até certo ponto, dali pra frente é com eles. Há que ter fé.

3 comentários:

Yuri disse...

e em 99% dos casos, tudo se encaixa e resolve, de alguma forma ;)

Yuri disse...

e em 99% dos casos, tudo se ajeita e resolve, de alguma forma, como tinha de ser ;)

Papai Urso do Interior disse...

Igualzinho eu, tb tenho noção que não sou um superdaddy, mas me sinto feliz porque tenho eles por perto e eles me tem idem, somos todos survivors de algo e a vida sempre sempre prega peças.