sexta-feira, 1 de junho de 2012

Analisando Antes De Votar

A Cidade do México substituiu seus ônibus por vans de lotação e piorou assim muito seu já caótico trânsito. Isso me contou um taxista quando lá estive, e pude presenciar aquele monte de combis brancas atravancando tudo. O ônibus é comprovadamente o transporte que menos ocupa espaço pela quantidade de pessoas que carrega. E José Serra acha o contrário, disse que os ônibus congestionam as ruas de São Paulo. Ele é médico, não entende mesmo nada de trânsito.

quinta-feira, 31 de maio de 2012

Eu Já Vi Isso...

Quem me conhece sabe que meu calçado preferido são os tênis. Tenho de todo tipo, cor e estilo. Tenho um prateado cromado que só uso uma vez por ano porque leva 365 dias para as pessoas se recuperarem. Mas tenho sérias dúvidas sobre os sneakers de salto alto de Isabel Marant. Me cheiram a modinha. E eu detesto moda, que dirá modinha. Já foram imediatamente copiados pela Arezzo e pela Schultz, o que me leva a crer que logo logo serão carne da vaca. Sim, vou experimentar. Mas tenho dúvidas. Me lembram a moda de Cindy Lauper. Me parecem por demais pré-Madonna. Sei lá, vamos ver. Um todo preto talvez seja o mais adequado a uma senhora como moi. Muito louco como os anos 80 tem voltado a minha mente. Outro dia assisti a uma entrevista que Jean Paul Gaultier fez com Lady Gaga me lembrei de uma armação de óculos dele que tenho a 15 anos. Não é que caiu bem de novo. Mandei trocar a lente e vou usar. E agora esses sapatos Cindy Lauper. Ter quase 50 anos é isso mesmo, tudo me parece déjà vu.

Cueca Holmes

A história da calcinha vermelha encontrada no Plenário me fez lembrar de um episódio e vou tentar contar. Estou com sinusite e uma dor de cabeça explode meu crânio mas vamos lá. Uma vez fui a um evento de criação publicitária. Vários palestrantes falavam sobre vários assuntos e antes das palestras tinha um coquetel. E foi nesse coquetel que vi um cara passar andando pra lá e pra cá. Era um cara normal que só me chamou atenção porque tinha uma cueca saindo pela perna da calça. Ele não tinha se dado conta então andava pelo salão sem nenhum problema. A cueca saia pela perna da calça. Era 1/3 dela pra fora da calça, que se arrastava por trás, cobrindo o calcanhar. Era possível ver que era uma cueca dessas zorba. Essa visão me intrigou tanto que esperei o cara na hora da saída mas ele deve ter percebido porque saiu sem a cueca na perna. Sempre penso que arrancou a cueca e largou embaixo da cadeira do auditório. E que mais tarde algum faxineiro achou. Mas como se explica o fato? Depois de quebrar minha cabeça cheguei à conclusão de que o cara tirou calça e cueca tudo junto para tomar banho. E vestiu a mesma calça, se esquecendo que a cueca estava lá dentro. E que quando enfiou a perna, já vestido com uma cueca limpa, acabou por empurrar a cueca suja pra dentro da perna da calça. E que, ao andar, aquela cueca foi escorregando pra baixo até despontar no pé. Elementar, meu caro Watson.

quarta-feira, 30 de maio de 2012

Merda No Ventilador

É incrível o número de textos adulterados que recebemos pela internet. Ora falsamente assinados, ora com traduções que mudam completamente o sentido. Recebi outro dia um texto de Mario Benedetti em português. Traduziram a palavra "aniñado" por animado. Então o texto dizia "que eu continue sempre animado" e o original dizia "que eu permaneça sempre como criança". Os textos assinados indevidamente são claramente uma farsa mas somente para quem conhece o autor. Outro dia recebi um texto contra o BBB assinado por Luis Fernando Veríssimo. Estava na cara que não tinha sido ele que escrevera, o estilo não tinha nada a ver. Mas o povo passa pra frente, nem se liga. Uma vez recebi uma série de anúncios feitos por um diretor de arte brasileiro, eram gráficos em forma de mapas de vários países. O texto dizia que eram gráficos da ONU, nada a ver. A ignorância encontrou solo fertil na internet, disso sabemos todos nós. Claro que textos incríveis, reais, verdadeiros, também rolam por aí. Mas estes são de difícil entendimento. Exigem reflexão, estão dentro de um contexto. Não interessam muito ao homem comum que gosta de coisa rasa. E por isso continuaremos recebendo textos com mensagens idiotas, cinicamente assinados por Freud, Einsten e Darwin. Ou Dalai Lama. E os livros, estes continuarão nas prateleiras. O mundo está cheio analfabetos. Não os pobres coitados que realmente não sabem ler, mas os que sabem e só usam esse conhecimento para ler placa de rua.

Abre Aí Essa Catraca!

O Sem Parar custa 11,90 reais ao mês. E parece que agora vai custar 8. Na época que fiz custava 60 reais de adesão, agora parece que não vai ter mais essa taxa. E quando chegamos perto do pedágio desviamos de toda aquela fila imensa e passamos na catraca lateral. E quando entramos em um shopping não temos que pegar fila para pagar o estacionamento. Mesmo que se use pouco, vale cada centavo. Eu, pelo menos, pago para não entrar em uma fila. Se tem espera na frente do restaurante vou embora. Que se dane que é o melhor do mundo e de todas as galáxias, prefiro pão com mortadela do que esperar em uma fila para comer. E a fila é uma coisa tão querida das pessoas que mesmo quando o assento do cinema é numerado elas fazem fila para entrar. Tenho um amigo que notou, em São Paulo os carros fazem fila sempre, mesmo que ao lado a rua esteja vazia. A fila é a rodinha de hamster de um certo tipo de pessoas. Adoram. Entram nela e viajam em pé. Ficam lá pensando na morte da bezerra e cuidando para que ninguém fure. Existem filas obrigatórias e inevitáveis, não falo dessas. Falo das filas desnecessárias, essas são as que não dá pra entender. Tem gente que pega fila no pedágio porque não gosta de dar informações de cadastro, por exemplo. Fazer um Sem Parar? Dar meu e-mail para eles, meu telefone? De jeito nenhum. Triste ilusão de privacidade. As fotos peladas dessas pessoas logo, logo estarão na internet, isso sim. O Grande Olho nos monitora e já sabe tudo o que fazemos. Então que abra logo essas catracas.

terça-feira, 29 de maio de 2012

Tempo Bom Não Volta Mais?

Nunca conheci Paulo Francis ao vivo mas ele sempre me fez revirar de prazer. Suas crônicas na Folha de São Paulo e suas aparições no Jornal da Globo eram o ponto alto do jornalismo da década de 80. Eu esperava ansiosa por novas colunas e novas aparições. Ele falando era de rolar de rir e o conteúdo do que falava era cortante como navalha. Humor e dor. Desde sua morte nunca mais admirei um jornalista como admirei a ele. Até quando falava coisas que eu não concordava, mesmo assim eu gostava dele. Morreu cedo de um ataque cardíaco e foi uma grande pena. Hoje eu sei que o que eu gostava nele era o gosto por desmistificar. Falava de história, política e arte sem intenção nenhuma de glamourizar. Muito pelo contrário. Arrancava a veste dourada de qualquer história e apresentava o resultado nú em pelo. Mostrava o pinto, a bunda, o pelo, o orifício da história. E eu rolava de prazer. Porque se tem uma coisa que eu gosto é de revelações. E tem uma coisa que eu odeio é gente que se faz de importante e especial. Somos todos importantes e especiais mas tem gente que faz parecer ser mais importante e mais especial. Quando a gente vai ver eles soltam peidos fedorentíssimos, igual todo mundo. Na época em que eu já era grande o suficiente para entender Paulo Francis se especializou em desmistificar os EUA. E esse é meu segundo tema preferido. Hoje pode parecer fácil, os caras estão abaixo de cú de cobra, mas naquela época eles eram os bambambans. E Paulo Francis enfrentava. Sobre a origem dos EUA: "os puritanos não foram perseguidos na Inglaterra. Deixaram-na porque a Corôa não permitia que perseguissem o próximo". "Em 1848 anexou mil milhas quadradas do México, pagando uma soma ridícula, 15 milhões de dólares", "os mais fracos pereceram, como os índios (400 tratados entre brancos e índios, todos sem exceção, rompidos unilateralmente pelos brancos), ou foram submetidos a humilhações indizíveis como os negros". Sem contar a parte que fala sobre Abraham Lincoln e sua campanha para libertação dos negros mas que era apenas uma hipócrita fachada para interesses econômicos enormes. Com Paulo Francis não sobrava pedra sobre pedra, e como eu gosto disso. Heróis voltando ao posto de seres humanos. Potências nem tão fortes assim. Histórias mal contadas reveladas, mitos desfeitos. A coletânea Diário da Corte é uma oportunidade de relembrar quando o jornalismo fidelizava a gente. "A segunda profissão mais antiga do mundo", como dizia Paulo Francis, hoje realmente anda vendidinha ao politicamente correto. Não gosto de sentir nem dizer isso mas aqueles anos de Paulo Francis foram bons tempos que ainda não foram suplantados. Assim como a música dos anos 80 também ainda não o foi. Vamos torcer que muita boa coisa está por vir porque não é possível esse deserto em que vivemos hoje. Paulo Francis era audacioso, quase suicida. E isso não existe mais.

Mirada De Êxtase

Quando olhamos fotos que nossos amigos fazem de lugares que já estivemos fica claro: cada pessoa olha para uma coisa diferente. Estou aqui vendo as fotos que meu amigo Marquito está fazendo de Istambul. Ele está trabalhando lá e postando fotos no Facebook. Não pode ser a mesma cidade que conheci a 4 anos atrás. Ele fotografa carros, e edifícios. Prédios modernos confrontando mesquitas históricas. O novo e o velho. Bairros de lojinhas com mulheres de véu na cabeça e trânsito caótico. Todas as fotos dele são de uma Istambul bastante cinza. Eu vi esse lado de Istambul mas não olhei para ele. Ou olhei mas não vi. Fui nessa mesma época, maio, e o que eu vi foram rosas. Rosas e mais rosas. Grandes canteiros de rosas vermelhas nas avenidas, rosas amarelas nas mesquitas. Rosas nas praças e nos obeliscos. Ah, vi também temperos. Containers enormes de azeitonas e especiarias, favos gigantes de mel. Latas enormes de azeite, chás de todos os tipos. E mais rosas. Lembro do Bósforo azul, lembro de andorinhas voando em círculo ao redor de uma mesquita... e mais nada. Legal, né? Melhor nem voltar nunca mais para Istambul. Nunca mais vou estar em um estado de espírito tão lisérgico. Eu estava bem louca, isso sim. Acho que era alguma dose extra de serotonina, alguma droga natural. Estava tudo ótimo naquela época. Tudo belê. Tudo zen.

A Importância Da Sobrancelha

Não é somente importante ter sobrancelha. É importante desenhá-la bem. Custa caro ir a um design de sobrancelha mas vale cada centavo. Ela, a sobrancelha, vai definir pratica-
mente tudo na fisionomia. Louco, né? E se você já estragou a sua tem conserto. Existem profissionais que tatuam outra no lugar, na mesma cor da original. Fica perfeito porque desenham pelinho por pelinho. O que não pode é viver parecendo o Lord Voldemort.

segunda-feira, 28 de maio de 2012

Modinha Fofa

Eu nasci na cidade de São Paulo mas me criei no interior. Então tem horas que me sinto uma não paulistana. É muita frescura pro meu gosto. Agora a moda aqui em São Paulo é chamar as pessoas pela primeira sílaba do nome. Então Monique vira Mô e Marcelo vira Má. Em alguns casos, para algumas pessoas, fica ridículo. Mas é a maneira "deles" de serem fofos. Nessa hora eu sou do interior, a criatura chama Murilo e não Mú. Nunca Mú. Never. Mas estou aqui no meio dessa paulistanada insuportável e tenho que receber emails assim "Má, veja isso pra mim?". E o email está endereçado para Marta, Marcelo, Marina e Márcia. Vai saber para quem a fulana está pedindo. Eu não vou responder nada. Já expliquei que o email deveria vir endereçado com nome completo mas não adianta. É moda, eles vão falar assim até não mais poder. Tem que ter paciência (NOT) e esperar passar.

Mais Uma Semana


O melhor jeito de enfrentar a segunda-feira para mim é esse: estou indo atrás de comida, para mim e para meus filhos. Todo animal faz isso, certo?

sábado, 26 de maio de 2012

Brasil, Brasil, Brasil!

Ontem conheci o Neymar e sucumbi à tietagem. Não sou de futebol, nada, nada. Entendimento zero sobre o assunto. Mas sou de Copa do Mundo. Nessa hora coloco camiseta, sei os horários dos jogos, torço e sofro de montão. Quando nossa seleção consegue chegar campeã e corre o gramado com a taça na mão me emociono até o último fio de cabelo. Sou muito patriota. Adoro meu país. Quem lê meus textos aqui sabe, não perco meu tempo falando mal do Brasil. E por isso mesmo tietei Neymar, ele é nosso grande trunfo na próxima copa. Vai estar mais maduro, vai arrasar. A foto junto com ele tirei depois de todo o trabalho acabado. Mas durante o trabalho pude observá-lo. Quantos anos tem? 19? A idade do meu filho. Está cercado de cuidados, como deve ser. Mas lá no meio da bolha em que vive, joga no celular. O joguinho dos logos, o que aparece um logo sem nada escrito e a gente tem que adivinhar.
Só é tirado da brincadeira para distribuir autógrafos. E desenha cuidadosamente cada um. Perde um tempo enorme escrevendo o nome da pessoa, uma frase carinhosa e uma assinatura elaborada. Em tudo, papel, bola ou camiseta, ele escreve assim caprichado. Para mim demonstra uma personalidade perfeccionista (afinal com apenas a assinatura o pedinte já iria para casa feliz). Não tive a idéia de levar uma camiseta do Brasil para ele assinar. Achei mico pedir. E quem não pede não alcança, todo mundo pediu, todo mundo levou menos a idiota aqui. Mas ainda vou encontrá-lo mais uma vez, e dessa vez estarei com uma camiseta oficial na mãos. Ainda não sei se do Brasil ou se do Santos... a camiseta do Santos é feia, não gosto. Vai ser do Brasil mesmo. Neymar carrega na orelha um brinco de brilhantes com suas iniciais NJ. É Neymar Junior e não apenas Neymar. Tem pai e mãe, é família. Gostei dele. E o brincão era uma coisa que eu já esperava. Tietar é mó legal, adorei. Não sou uma pessoa de ídolos, infelizmente. Mas momentaneamente pude gostar mais dele por ser uma esperança nossa. Quem dera eu pudesse sentir isso mais vezes.O cabelo pra cima? Queriam o quê, um cabelo cortadinho normal? Se ele cortasse normal perderia muito de sua personalidade. Viraria um garoto comum, coisa que ele não é. Admirar o Neymar é mais gostoso do que criticar ou invejar. Precisa ser do Santos para gostar dele? Que isso, me poupe. Pensa grande, criatura.

quinta-feira, 24 de maio de 2012

I See Dead People

Fui acusada de ser cética demais por não acreditar na Xuxa e nem no aquecimento global. E por ter fantasiado a possibilidade de que a iraniana Neda possa ter sido morta pelos próprios rebeldes para fazer valer sua causa contra Ahmadinejad. E contra essa acusação não tenho como me defender. Só o tempo poderá me redimir (ou não). Mas achei um bom tema. Realmente tem histórias que não engulo. Analisando bem tenho até um padrão no meu ceticismo. Não acredito em pessoas que defendem causas, por exemplo. Melhor dizendo, não confio em pessoas que defendem causas. Porque a causa é uma espécie de religião e a pessoa que a defende é um tipo de fanático. Fará qualquer coisa para provar seu ponto. Inclusive mentir. O defensor de uma causa é quase sempre um seguidor de Maquiavel: os fins justificam os meios. E tenho uma rejeição muito forte por manipuladores midíaticos. Não é só a Xuxa, não. Uma super mega famosa que eu nunca enguli foi Lady Di. Não acreditava em uma só palavra do que ela dizia. Não que as histórias de traição e rejeição não fossem verdadeiras, não é isso. Eu não acreditava que ela era boazinha de verdade. Até hoje, quando vejo cenas dela andando por entre as crianças vítimas de minas terrestres, vejo outra coisa. Vejo uma mulher se vingando. Se tornando a mais adorada criatura da face da terra, a rainha dos corações. Mais amada do que o ex-marido. Mais rainha do que jamais será rei o ex-marido. Mas são coisas que vejo, que fantasio, que imagino. Coisas impossíveis de provar. Minha questão é que por baixo da superfície obvia pressinto a existência de icebergs enormes. Gigantescos blocos de gelo de sentimentos acumulados, intenções nem mesmo confessadas. É assim que sinto o mundo. Meu crítico chama isso de ceticismo. Eu chamo de cansaço: estou cansada de sentir o que quase ninguém sente. É uma vida inteira pensando diferente da maioria, falando "presta atenção! não é o que parece!". É um sexto sentido dos infernos, um feeling que sempre me tira da situação confortável do bem contra o mal. Que me revela um confuso raio X da situação e me impede de seguir com a maioria. Hoje estou cansada disso, com gripe, sem saco. Amanhã talvez eu melhore e possa voltar a valorizar isso como um dom. Hoje estou mesmo é sem saco para os rasos Titanics.