sexta-feira, 24 de maio de 2013

Visita


Cinco meses sem escrever no blog. E hoje se torna necessário. Não me sinto bem e quem sabe a velha fórmula de escrever para sanar as feridas volte a funcionar. Não estava mais funcionando em dezembro de 2012. Quem sabe volte a funcionar em maio de 2013. Não me sinto bem, volto a dizer. Amanhã é a missa de sétimo dia da filha de uma amiga e isso me tira tudo: fome, sono, vontades. E me faz refletir sobre minha vida para, ao invés de dar valor, sentir que não vale nada. Sentir que o fim está próximo. Sentir que o fim existe. Papo insuportável de deprimida de meia idade. Mas foda-se, esse blog nem era mesmo para divertir ninguém. Era para destilar veneno. E nem sei de onde crio tanto veneno. Hoje estou com medo não da morte mas da loucura e da velhice. De perder o bonde, de não ser mais relevante. E acabei indo ler esse livro Kafka Para Sobrecarregados. Um dos exercícios que o livro propõe é falar com um velho amigo, alguém com quem vc perdeu contato. Bom, meu blog é um velho amigo com quem perdi o contato. E aqui estou. Não pretendo voltar a escrever nele diariamente. Apenas visitar mesmo. Ando nessa fase sem leitura, leio 3 parágrafos e paro. E no primeiro parágrafo já dizia do velho amigo. Hoje estou profundamente triste. E isso me custa confessar. Tenho essa necessidade de não deixar ninguém me ver triste. Como se a tristeza fosse um defeito. Dizem que não é, parece que temos esse direito. Tristeza é um direito, como votar. Mas e se a gente não voltar da tristeza? Esse é o problema. A tristeza pode ser aquele drink "beba-me" da Alice. Pode te diminuir, pode te afogar. Pode te matar. Não estou triste por causa da morte apenas. A morte da filha de minha amiga destapou um poço de tristezas ocultas. E dali começaram a sair cobras e lagartos. Estou hoje triste por causa de coisas antigas e novas. E porque não paguei uma previdência privada desde os 18 anos. Se tivesse começado aos 18 hoje poderia me aposentar. E ir para Londres. Ou para o Jalapão. Pelo menos por algumas semanas eu me sentiria bem de novo. Não está adiantando escrever.

segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

E Se Acabou O Ano.

E tudo indica, se acabou o blog. Não escrevo mais, zero vontade. Mas vamos ver como fica em 2013. Para quem gostava de seguir esse blog convido a me seguirem no Instagram ou no Facebook. Ou ler as crônicas que publico uma vez por mês no Visionari. Um grande abraço em todos!

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Ah, O Glamour...

Lewinsky e Lewandoswski

Quando Bill Clinton quase perdeu o mandato por perjúrio morremos de rir. Desde quando um presidente mentir falando que não esfregou o charuto na estagiária era motivo para perder um cargo político? Quá quá quá. Não estamos acostumados a leis penais. Muito menos a leis penais sendo implementadas. José Dirceu pegar 10 anos de prisão causa um furor, justificado, e uma comoção. Se cumprir realmente essa pena, se virmos o ex-ministro por trás das grades mesmo, aí vai ser um susto. Muitos sentirão muita pena e muitos sentirão como uma injustiça. Tantos políticos cometem crimes de corrupção, por que o PT vai ser punido? Alguns gritarão "perseguição!". Realmente pode ser perseguição e realmente isso pode nunca mais acontecer com outro partido. Mas e se não for? E se realmente o sistema judiciário brasileiro resolver fazer valer sua existência? E se realmente os corruptos passarem a ir para a cadeia? O que me espanta mais é o medo que acomete a muitos de nós quando a justiça é feita. E a pena que nos dá a muitos, eu incluida, ao ver um homem como José Genoíno, ser condenado também. Mesmo que tenha realmente cometido o crime. Que sentimento é esse? Ouvi falar que o Maníaco do Parque recebe cartas e mais cartas de mulheres com pena dele lá na prisão. Os corpos das mulheres que ele assassinou, mostrados na TV e na internet na época parecem não valer nada. Que sentimento é esse o de pena do condenado? Eu adoraria saber para me curar disso. Justiça é para ser feita, acatada, comemorada. E eu aqui, com pena do Genoino.

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Istambul Não Conquistada

Infelizmente meus planos de desbravar Istambul em um dia fracassaram. Voltei da ilha de Büyükada com uma virose que me virou pelo avesso e passei o único dia que tive em Istambul no trono do rei Midas (rei da Frígia, região ao norte da Turquia, que alcançou enorme prosperidade e que provavelmente deu origem ao mito grego). Só consegui dar uma breve caminhada pela praça Taksim e pela rua Istiklal, ambas no centro moderno de Istambul. Minha ideia era provar a comida de rua mas nem pensar. Se eu comesse pimenta ou azeite não sobreviveria. Depois de muitas lojas de roupas, sapatos e bijuterias pavorosas me deparei com essas mulheres fazendo essas "panquecas" fininhas. Iam abrindo na hora e recheando. Chovia a cântaros então entrei. E acabei conhecendo a börek, uma massa de trigo com água recheada com o que você quiser: carne, queijo, verdura ou tudo junto. Escolhi uma börek recheada com espinafre. Comi e me fez muito bem. O restaurante se chama Hala Manti e fica em Istiklal Cadesi 137A. Comi sem saber o nome, sem saber nada. Mais tarde comprei um livro sobre comida turca em uma das livraria da rua Istiklal e somente lá descobri o nome dessa comida. E descobri também que o turco considera o pão sagrado. Não se desperdiça pão e se um pedaço de pão cair no chão eles pegam, beijam e colocam na mesa novamente. Uma mesa farta dessas comidas feitas de massa de farinha de trigo é sinonimo de fertilidade e fartura. A comida turca é uma mistura da culinária da Ásia Central com a romana. Com influência do Egito, Síria, Irã e Iraque. Uma mistureba bem legal, pena que não pude provar de tudo. Mas um dia eu volto.
































PS - não me pergunte como foi voar 13 horas de volta com piriri monstro. Não quero contar.

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Algumas Curiosidades Sobre A Turquia

As diferenças culturais podem ser grandes e pequenas. E algumas podem ser minúsculas. E mesmo essas deixam a gente louco. Aqui na Turquia eles entornam todo o conteúdo de uma lata dentro do copo até que não reste nada na lata. Jogam fora a lata e te dão o copo cheio até a borda. Não cabe gelo, não cabe limão, não cabe nada. Se for garrafinha de cerveja entornarão tudo também. É um desespero. A cada coca cola tomada, a cada cerveja bebida, ficamos hipnotizados com a capacidade que eles tem de enfiar tudo em um copo. É um frio na espinha. Paramos de falar nessa hora. Não vai caber, não vai caber, e cabe. Não dá pra levantar o copo dali mas cabe. Ai você tem que abaixar o bico até o copo e dar aquela sorvidinha para não transbordar. Coisa de louco. Para não sofrer mais com isso hoje pedi um vinho branco. Garrafa. Quero ver esse garçon colocar uma garrafa de vinho inteira dentro do copo. Não conseguiu, claro. Mas serviu todos os demais, até esvaziar a garrafa. Eles querem ver o fim da coisa, não importa como. Querem a lata vazia, a garrafa vazia. Nada dessa coisa de colocar o resto na mesa. Deve ser falta de educação, sei lá. Acho curioso. Outra coisa interessante, eles servem muita comida. Mas tudo vem devagar. Então, se você comer muito no começo não vai aguentar o fim, que geralmente é a melhor parte. Mas demora horas até chegar o fim então por vezes você acha que o fim chegou. Engano seu. Ainda tem mais 5 pratos diferentes vindo. E você bobão que comeu o camarão da metade, achando que era o prato principal, perderá o peixe do final. Sem contar as 5 sobremesas. Outra curiosidade, eles colocam queijo em tudo. Na fruta, na sopa, no pepino. No café da manhã, almoço e jantar. E por fim a última característica marcante, é impossível saber de que é feito o prato. Sempre é uma pasta, um creme, um molho, um ensopado. E só provando você saberá do que é feito. Ou nem provando. É uma boa comida, parecida com a comida árabe mas sem o pão sírio. E acompanhado do arroz branco, como nós. De uma certa maneira a Turquia deixa um brasileiro se sentindo em casa. Tirando a coisa do copo transbordante, claro.

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Mais Do Mesmo

Chato no úrtimo esse filme novo do Tim Burton. Vim vendo no avião e mesmo assim me entediou. São pedaços de coisas antigas, antigos personagens de outros filmes. Essa loira do lado faz a mesma cara que fez no Marte Ataca. A mocinha protagonista desaparece por várias cenas do filme. E a coisa mais chata, o personagem da mulher de Tim Burton não serve pra nada. Como se ela precisasse disso. Helena Bohan Carter não precisa de carona de marido, pelo amor. Que sono. Até Tim Burton conseguiu ficar chato e repetitivo, que coisa. Mas a bruxa apaixonada pelo vampiro e seguida pelo fantasma até que combina com minha semana.

Scooby Doo, Where Are You?

A ilha de Büyükada na Turquia é um lugar esquisitíssimo. No verão é cheia de gente e luminosa mas agora é outono. Chove e faz frio portanto está vazia. Somos nós, os cavalos, os gatos e os cachorros. Ah, e as casas gigantes, algumas abandonadas. Na ilha não circulam carros então todo o transporte é feito a cavalo. São carroças e mais carroças que fazem todo o serviço. Apenas dois carros existem na ilha, um caminhão de lixo e um carro de manutenção. Pouca gente vive na ilha e no inverno, quando não há turista algum, não circula dinheiro. E histórias horripilantes são contadas. Me disseram que os cavalos passam fome no inverno. E os cachorros também. Por causa disso a ilha tem cachorros meio selvagens, que vivem no meio dos bosques e atacam as pessoas. Se for correr pela ilha o conselho é nunca entrar nos bosques. Eu vi os tais cachorros. Eles seguiram as carroças quando passamos pelo bosque a noite, a caminho de um restaurante mais isolado. Tudo aqui me lembra um livro de Stephen King e tenho certeza de que ele escreveria uma nova novela de terror se viesse para cá. Ou de suspense com assassino serial. Mas acho que é mais sobre alma penada mesmo. Andei perguntando e me contaram, existe um filme turco de terror que foi filmado aqui. Se eu estou tendo dias terríveis? Eu não. Quando eu conheceria uma ilha fantasma na Turquia? Quando, pela minha própria iniciativa, eu passearia por um bosque assustador cheio de cães assassinos? E andaria por ruas desertas lotadas de gatos. Lotadas, LOTADAS, de gatos te mirando fixamente, soltando longos miados de necessidades mil. Nunca. Estou aproveitando cada segundo que posso sair do hotel, sorvendo cada imagem, cada detalhe. Nada acontece por acaso na nossa vida. E essa ilha do Scooby Doo ficará para sempre na minha memória.

O Barco Do Terror

Estou na Turquia. Mais precisamente em uma ilha ao lado de Istambul no mar de Mármara. Como cheguei aqui? Cheguei rezando. Fui convidada a participar de um workshop. Cheguei em Istambul em um lindo vôo da Turkish Airlines. Aviãozão espaçoso, vôo direto, tudo lindo. Acontece que o mar não está para peixe. Dangerous sea, disse o capitão do barco-taxi. Disse em turco, quem traduziu foi o guia. Dangerous, dangerous sea. E gritaram em turco um com o outro até a exaustão, e tomaram a decisão de me embarcar não pela Marina de Istambul mas pela parte asiática. Istambul fica metade na Europa e metade na Ásia, como muitos devem saber. Pois bem, atravessamos a ponte e fomos para a outra parte, como se o mar lá estivesse melhor. Quilômetros depois, em outro pier, outro capitão disse em turco: dangerous sea. O guia gritou com ele até a exaustão, me colocou dentro do barco e disse: if you be scared talk to him and you can come back. E quando fechou a porta me disse as últimas palavras: please, don't be scared. E lá dentro do barco para 8 pessoas fiquei apenas eu e minhas malas. E o barco foi, no meio da escuridão total, enfrentando ondas invisíveis. Chacoalhou mais do que o Earthquake da Disney. Bateu nas ondas e revirou como louco. Jogou minhas malas para lá e para cá. Se encheu de água que escorria pela porta adentro. Por 20 minutos eu passei um dos maiores medos que já passei em toda a minha vida. E no meio daquele liquidificador gigante eu só pude pensar: você, Marta, é uma mulher corajosa. Corajosa não, completamente inconsequente. Por que não exigiu um hotel em Istambul? Por que não veio no dia seguinte na luz do dia? Porque os turcos gritam. E gritam. E discutem. E fazem você pensar que é muito urgente fazer aquilo. Por isso!!! Cheguei na ilha de Büyükada (se fala Bicada) as 2 e meia da manhã, completamente nauseada. E a ilha é outro post. Um post sobre Stephen King.

terça-feira, 23 de outubro de 2012

Ouça A Opinião Do Anjo

O julgamento do mensalão está eletrizante. O assunto do ano, não se fala em outra coisa. Mas tem uma coisa eclipsando acontecimento tão importante: o cabelo de Luiz Fux. Todas as vezes que ele fala o mundo inteiro para. E fica em câmera lenta. Os rostos se viram lentamente em sua direção. As pupilas aumentam. E focam. E todos se perguntam: que cabelo é esse? É peruca? É implante? Tal qual Chico Xavier o ministro também erra. Erra ao achar que essa solução seja melhor que a calvície. Erra na cor, escura demais. Erra ao chamar tanta atenção para seus cabelos diminuindo assim a atenção em suas palavras. Os homens tem essa vergonha mortal da calvície. Mas se soubessem o asco que um cabelo falso, ou tingido, causa a uma mulher nunca escolheriam esse caminho. E não apenas mulheres acham feio, homens também. E no geral o homem nessa condição perde também credibilidade. Não sou a única a achar isso, o anjo do Chico Xavier falava a mesma coisa.

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Abaixando O Volume Da TV

Outro dia mesmo eu falava no Facebook: para quê refilmar In Treatment com atores brasileiros se o original é tão bom? Era medo. Medo de passar vergonha alheia. Medo de transformarem a série em uma novela da Globo, over atuada, com gente rindo e chorando falsamente e com alguma gritaria, coisa que o diretor e o ator brasileiro gosta tanto. Mas não. Está demais, ótima. Está dirigida por Selton Mello, muito bem dirigida. Selton Mello é hoje um dos melhores diretores de ator do cinema brasileiro. Aquele jeito contido dele está impresso em sua maneira de dirigir. E me deixa morrendo de felicidade. Estamos caminhando, estamos chegando, estamos seguindo em frente. Quem sabe um dia conseguiremos chegar lá. No mundo da televisão bem atuada e bem dirigida, emocionante de tão real. Contida, contida, menos. Menos palavras, menos exageros. Menos gritaria. Ninguém fala gritando na vida real (com exceções). Os sussurros de Sessão de Terapia nos levam lá dentro do consultório, nos guiam para dentro de cada história. É falando baixo que uma pessoa é realmente capturada, encantada. E é Selton Mello o primeiro a conseguir fazer isso na televisão brasileira.

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

A Vaca Vista Do Céu

Ontem ganhei o livro A Terra Vista do Céu, de Yann Arthus-Bertrand e me impressio-
nei demais com essas vacas do Pantanal. Elas vão comendo e andando e dessa maneira vão desenhando caminhos no pasto. Deve ter sido daí que veio a expressão "cagando e andando".  Vivendo e aprendendo...